sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Med student... valar dohaeris!

Todos os homens devem servir...
Este foi o meu principal argumento quando eu quis ser médica. Porque para ser bem honesta, meu sonho mesmo sempre foi ser artista. Mexer com desenho, essas coisas. Eu queria mesmo era ser uma desenhista de histórias em quadrinhos. Criei vários heróis. Desenhei cada um deles. Escrevi roteiros super bem trabalhados. Quando comecei a fazer biologia, esses roteiros passaram a ser mais elaborados, científicos...
Mas quando eu comecei a prestar vestibular, lá pelas bandas de 2009, ano em que concluí, eu parei para pensar que talvez eu não devia ser artista. Porque como eu ia ajudar alguém com arte? E ademais, o que eu poderia criar que já não tivesse sido criado? A arte para mim se realizou lá no Classicismo. De lá pra cá, para mim, houve pouco progresso, pois o mais bonito (na minha opinião) já tinha sido feito.
Já na ciência... não existe nada exato na ciência, muito pelo contrário. Há sempre coisas novas a se descobrir. Sempre algo novo a se encontrar. A ciência não para, por quê a evolução não para. A vida não para. E eu queria fazer algo pelo mundo, afinal, é para isso que todos nós nascemos e vivemos. Para realizar coisas boas e novas para que quem venha depois possa viver melhor do que nós. Eu quis isto.
Confesso que não lutei com todas as minhas forças. Na minha concepção, eu estava nas mãos do destino. Se o destino me quisesse lá, eu iria. O que eu tivesse que aprender no caminho era lucro. E assim se foram uns cinco anos. E quando eu finalmente desencantei, eis que aconteceu.
Non, je ne regrette pas. Acho que tudo o que eu passei, vivi, saboreei, amei, mudei, nesse meio tempo, serviu para me ensinar quem eu era, o que eu queria, o que eu não quero, o que eu devo fazer. O destino não é algo estático e a gente encontra nosso destino em lugares muito diferentes daqueles que a gente imagina. Ou em pessoas muito diferentes.
Todo o passado está morto para mim, assim como as pessoas que insistiram em ficar nele.
Só existe o agora, as pessoas que estão comigo agora ou que estiveram desde sempre. Quem me abandonou, ficou para trás.
Pois é, estudante de medicina. Vou para um estado diferente do meu, conviver com uma realidade diferente. Viver sozinha. Mais sozinha do que jamais estive antes. E mesmo assim, eu topo. Quanta gente faz isso todos os dias? Ter receio só serve para me desviar do que eu devo fazer, então prometi a mim mesma lidar com isso da melhor forma possível, afinal, já tenho 22 anos.
E além disso, eu sempre terei para onde voltar, caso tudo fique ruim. E sempre terei amigos comigo. Eles estarão aqui, onde os deixei. Perto de mim sempre.
Mudar é um ato de coragem, não é mesmo? Pois é, eu estou mudando.