quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Resilience...

Acho que uma das coisas mais legais que a Força Suprema (a.k.a. Deus, Allah, Deusa) nos deu foi a capacidade de resiliência. Dobrar e não quebrar? Albert Camus dizia que isso era ter um coração flexível, e que era fantástico, pois corações assim não podem ser partidos. Professores na faculdade já descreveram isso como "dobrar como uma mola".

Eu discordo.

Resiliência não é não se quebrar. Resiliência é se foder em Escala Richter e ainda assim, ao juntar os cacos da devastação, ver que você se tornou melhor, mais forte.  É ter a exata noção do dano e ainda assim olhar pra frente, afinal a Terra não interrompeu rotação e translação apenas porque você está sofrendo. Pelo contrário, o planeta está pouco se fodendo pra você e vai te dar um Verão lindo de 40°C ou mais, se bobear. O resto da humanidade então... Prefiro não comentar.

Recentemente uma amiga pediu meu conselho porque ela estava numa fase complicada. Meus conselhos não valeram de absolutamente nada porque cada um faz exatamente aquilo que quer fazer, mas o fato de estar do lado dela valeu muito. Ela me disse que nunca vai esquecer o meu apoio, e nem eu, pois estar ao lado dela no seu momento mais difícil contou muito para que eu esteja escrevendo isso tudo agora.

A essa amiga eu agradeço, por me mostrar através de sua própria experiência desastrosa, onde e como eu havia errado. O que eu entendi com a Senhorita Raposa é que muitas vezes você se depara com o lobo mau e mesmo sabendo o quão mau ele é, você se envolve porque acredita que todo mundo merece uma chance (especialmente aqueles por quem você tem mais que uma queda). Pessoas apaixonadas vão perder qualquer vestígio de dignidade e amor próprio antes de perceberem a furada em que se meteram. Parafraseando a Senhorita Raposa, o que resta é pegar o orgulho no lixo. Eu vasculhei o lixo atrás do meu...

Ao mesmo tempo, tinha esses dois amigos meus, o lindo Capitão Incrível e a doce Dra Sofia, que me ensinaram outra coisa. Com seus dramas particulares e completamente distintos eles me mostraram juntos que amar alguém que não nos ama é praticamente tão difícil quanto ficar com alguém a quem já não amamos. Sem saberem, eles foram o alfa e o beta da minha consciência conflituosa. Sério, às vezes minhas guerras (não crises) de identidade, parecem a faixa de Gaza.
Tendo isso tudo em mente eu cheguei à conclusão de que o ódio que eu sentia já não fazia qualquer sentido lógico. Era uma desculpa que eu havia criado para justificar meu sentimento pessoal de derrota e fracasso.

Pour quoi?

Porque odiar não é não amar. Ódio não é falta de amor. Ódio é amor. Ou ao menos é o que sobra dele quando todo o resto se vai. Então somente quando seu cérebro entender que é inútil odiar, quando você finalmente superar sua raiva é que você vai perceber que está livre, não apenas das sombras que tomaram conta da sua vida, mas do amor como um todo.
Os budistas dizem que o desejo é a origem de toda a dor e que somente quando nossos corações param de desejar é que paramos de sofrer. Novamente discordo.  Afinal, todos os espertos sabem que a dor é parte da vida. Não há como evitar a dor. Então o segredo é que a dor é algo inevitável, mas o sofrimento... Ah meu bem, o sofrimento é completamente opcional.

Respire fundo, pois o amor nunca mais será o mesmo. Você nunca mais será o mesmo. Não , você não fica pior... A sensação eu só posso descrever como "única" E isso... Isso sim é resiliência.

Take a breath.... You are alive.


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Éramos eu e você contra o mundo.
Até que eu descobri que era eu contra o mundo. Eu, apenas.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Um desabafo...

Você pode dizer que eu to divagando com a minha vida, ou que eu não estou querendo entender. Eu estou. Eu entendi. E há dias em que em mim fica um vazio tão grande e me faz entender mais: eu não queria que fosse assim. Não queria, não quero e acho que o dia em que vou me conformar com essa situação está longe de chegar.
Hoje eu mandei mensagem por que ontem me peguei pensando no passado. Ontem li seu twitter e li as coisas que você dizia para mim sendo ditas para outra pessoa. As mesmas fucking palavras. Exatamente iguais. Daí eu percebi: você é um desperdício do tempo de qualquer pessoa. Afinal como pode dizer aquelas coisas e não pensar em mim? Como pode escrever aquilo e não lembrar de mim?? Eu que nem consigo mais cantar uma música do Coldplay sem sentir raiva por que eu já cantei elas para você.
Eu me perguntei por que a vida tem que ser tão fodida comigo e ao mesmo tempo ser tão boazinha com você. Você vai para festas, se esfrega em todo mundo e bebe até quase entrar em coma. E quando chega em casa deita a cabeça no travesseiro como se isso fosse absolutamente normal e não sente qualquer culpa pelas suas matérias que ficam acumuladas.
E me peguei pensando se eu queria que você sofresse. E a resposta foi não. Apesar de tudo o que me fez, apesar de tentar odiar você, apesar de ter nojo de você, eu não quero que passe por nada do que me fez passar. Não quero te ver chegar ao ponto de desejar morrer. Isso não é humano. Isso não é biologicamente saudável. Ninguém, por pior que seja, merece isso.
Me lembrei de um dia em que você saiu, bebeu, pegou todo mundo e quando chegou em casa me ligou chorando, dizendo que não me merecia. Não merecia mesmo, mas eu te perdoei no ato, pois te ouvir chorar partiu meu coração, e disse a você que estava tudo bem, que as coisas iam funcionar quando estivéssemos perto. Você melhorou por quase um mês, daí tudo voltou a acontecer, e você chorava e dizia que não me merecia e blá blá blá. Alguma vez eu não te perdoei?
Lembro do dia em que você me ligou com medo de trovão. Eu me perguntei: quem é que ainda tem medo de trovão?! Você tinha. Eu tinha que dormir, precisava muito dormir para acordar cedo e ir para a faculdade. Mas fiquei com você no telefone até não aguentar mais falar. Acalmei teus medos, lutei contra o sono para ficar com você o máximo possível para que você soubesse que eu estava ali por você. Aí dia desses eu tive uma crise de pânico, tentei te ligar, pedi sua ajuda. Você sequer me respondeu. Então eu me perguntei: alguma vez eu te deixei sem ajuda?
Lembro quando você deu uma festa em casa. Me disse que ia ser uma coisa boba. Novamente bebeu até quase morrer, ficou com alguém, depois me ligou e quando eu perguntei se você tinha feito algo que queria me contar, você disse que não. Falou comigo o resto da noite e continuou mentindo com uma facilidade espantosa. Só me contou no outro dia. Eu devia ter percebido ali que você tem uma espécie de patologia. Mentira patológica. É doença. Você é doente. E então eu me pergunto até hoje: quando foi que menti para você?
Quando te perguntei se um dia me amou, você disse: você sabe que amei, eu até chorei por você. E eu me pergunto como que chorar prova alguma coisa. Você tenta se convencer de que não me usou para ficar bem enquanto encaixava as coisas na sua vida, mas foi isso o que você fez. Me usou para colocar seu mundo no lugar, e quando tudo já estava bem, quando você tinha outros para acalmar seus medos, você desfez nosso pacto e me jogou fora como se eu não fosse nada. Foi assim que me senti. É assim que eu me sinto e isso não vai passar, e eu não vou te perdoar.
Agora que penso bem, eu te dei tudo e você nunca me deu nada. Parei para pensar no que ganhei com esse relacionamento e a resposta foi: absolutamente nada! Sequer realização sexual. Nem isso. A única coisa que tirei disso foi a descoberta de que existe algo dentro de mim que eu não gosto. Você despertou as piores coisas em mim, coisas que eu não quero mais sentir. Você me tornou alguém que eu não gosto de ser.
Você vai dizer que eu estou divagando... que eu não quero aceitar.
Mas me diga, como eu posso aceitar algo assim? Como eu posso aceitar a humilhação?
Eu tinha vontade de destruir a tua vida, como você destruiu a minha. Mas quando penso nisso, eu vejo que qualquer tipo de vingança vai rebaixar o meu caráter ao nível do seu.

PS: eu quero meu anel de volta! Ele não é seu.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

learning lessons...

Ver um amigo sofrer é pior do que ver a si mesmo sofrer. Pelo menos na concepção daqueles que não fazem do egoísmo um modo de vida.
Mas o pior de tudo é ver seu amigo passar por tudo o que você passou - exatamente igual, em número, gênero e grau - e não ter absolutamente nada para dizer. Você sabe como tudo termina, mas não pode dizer a ele, por que é simplesmente surreal demais para se acreditar que alguém tenha a coragem de fazer aquele tipo de coisa com outra pessoa. Se você disser o que pensa, talvez seu amigo não lhe acredite: o melhor é deixar a pessoa viver as próprias experiências. Contudo, como diria Jace Beleren: "Aprender com os próprios erros é bom, mas eu prefiro aprender com os dos outros".
Hoje, numa retrospectiva, meu relacionamento fracassado não me trouxe absolutamente nada de bom. Nada mesmo. A não ser a plena consciência do que eu sou quando as pessoas me levam ao extremo. E não é nada bom. Eu cheguei ao meu pior: eu não gostei. E nunca mais quero voltar lá. Talvez todos tenhamos que aprender uma lição. Que seja então.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

I am fine, thanks!

Quando chega o fim do dia e você não sente mais qualquer empatia...
Quando o sol se põe e você já não tem qualquer interesse em saber se aquela pessoa está bem.
Não que você não se importe... Você se importa, e muito! Só que surgiu um letreiro em neon piscando dentro do seu cérebro e que diz: F.O.D.A-SE!
Alguém me disse que essas palavras eram mágicas. Não são. Apenas fazem com que você pare de se machucar.
Hoje eu peguei meu violão e cantei. Sorri para as pessoas como não sorrio faz um tempo. Dei gargalhada de bobagem. Percebi que se o outro não liga, se o outro mente, isso é problema dele e não meu. As pessoas que se resolvam com seus deuses e suas consciências.
Hoje eu estou muito bem, obrigada.

domingo, 17 de agosto de 2014

knowing the truth about yourself...

Sabe a coisa mais difícil de se perceber sobre si mesmo? Sua própria contradição.
Por que eu notei que eu não sou uma pessoa assim tão apegada a nada ou ninguém. Muito pelo contrário. Mergulhando profundamente dentro de mim mesma, notei que eu estou cagando para a maioria das coisas. Verdadeiramente, eu tenho vergonha dessa minha indiferença.
Eu percebi que abandonaria qualquer sonho, qualquer coisa. Menos você.
Eu percebi que nenhum amor (não vamos meter família na conversa, ok?) em mim dura muito tempo, a não ser aquele que tenho por você.
Eu descobri que sou capaz de desistir até do que venho lutando desde que me formei no ensino médio. Mas não desistiria de você. Eu diria adeus a qualquer um, mas jamais consegui efetivamente dizer adeus a você.
Por que não importa quão longe eu vá e quantas barreiras emocionais eu crie. Elas sempre ruirão se você decidir derrubá-las.
O mal das pessoas é que elas fazem você se importar. Elas vem e te tiram da sua zona de conforto, crescem dentro de você como as avencas do Caio Fernando Abreu. Criam raízes e depois querem te obrigar a arrancá-las a força. Não é assim que funciona, infelizmente.

sábado, 16 de agosto de 2014

Sick...

Depois de cuspir sangue por dois dias seguidos e sem qualquer chance de poder ir a um médico por esses dias agora devido ao trabalho, fui à farmácia e falei com o farmacêutico que desconfiava estar com uma alergia. Ele me passou um xarope horroroso com gosto de framboesa e um antibiótico - proibidão. Só aceitei tomar o antibiótico por que ele tem um controle de três dias.
Apesar de o anti-alergênico ter me derrubado - fiquei um pouco zonza, dormi muito - sempre que acordava estava melhor. E apesar de ainda estar com a minha voz de travesti, pelo menos os sintomas estão diminuindo. Quando meu tempo lá no emprego terminar, vou ao médico fazer uma revista. Quando eu comecei a ficar doente domingo passado, não achei que ia chegar a esse ponto.
Mas o importante é que agora estou bem melhor que ontem. Já é um começo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Get the fuck out of my head!

Ontem eu precisei de ajuda. Ontem eu realmente precisei... Mas eu entendi que cada um de nós está por si.
Agora, eu estou definitivamente excluindo os egoístas.
Se tem uma coisa que eu não faço mais é perder o meu tempo com quem não o merece.
Tempo é vida. E a vida é curta demais para se desperdiçar com pouca coisa...



Imagem de Kaethe Butcher

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

they are not you...

Há algo de errado no discurso.
O que há de errado é que: você é assim. Eu não.
Minha personalidade é completamente diferente. Não sou uma desapegada e, para ser bem sincera, não faço a menor questão de ser. Não sou assim e ponto. Eu me apego, eu amo com sinceridade e não tenho vergonha disso.
Vocês acham mais fácil ser indiferente? Isso é problema sexual de vocês. Acham fácil mentir e enganar as pessoas? Isso aí é problema moral e ético de vocês. Eu não acho e para ser bastante franca, acho que há algo de muito errado em gente assim. Acho que há vazio. Rancor. Mágoa. Uma coisa que magoou tanto que te deixou assim.
Abençoados sejam os resilientes. Aqueles que conseguem passar pela dor sem se tornarem n'outras pessoas. Esses são os mais felizes. E vocês não são assim. Vocês são os covardes: aqueles que quebram e depois renascem tortos, deficientes de amor, orgulhosos, implacáveis em sua ânsia de ser feliz mesmo se for pela mágoa de outrem.
Eu sou a pessoa que telefona depois de uma briga, a pessoa que se arrepende e tem a humildade de pedir desculpas. Sou essa pessoa. É assim que sei ser.
Se alguém me liga pedindo ajuda, eu ajudo.
Se uma pessoa que eu não gosto senta do meu lado e conversa comigo e pede minha ajuda, então eu converso com ela e a ajudo. Por que é assim que eu sou.
Não vou mudar. Eu não quero mudar!
E não vou ser igual a vocês. Não vou ser assim. Nunca!
E repito: ao que percebi, o problema não está em mim. Não sou errada por me importar. Na verdade isso é uma qualidade cada vez mais rara.


This too shall pass...

Pela primeira vez desde que isso tudo começou eu estou realmente deixando você para trás.
Sinto-me livre.
Não culpo mais ninguém pelos meus erros. Não me meto mais na vida de ninguém. Só eu importo agora. Tudo passa... tudo tudo tudo.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Broken hearts...

Quando eu tirei a armadura para você, eu fiquei exposta como nunca antes.
Eu tinha me blindado, construído muralhas, eu era uma fortaleza.
E você veio, devagar foi tirando minha armadura, derrubou minhas muralhas, abriu as portas da minha fortaleza, entrou, invadiu e fez morada.
E quando você saiu, eu fiquei de cara para o mundo, vulnerável. Eu não tinha mais defesa. 
Eu fiquei desesperada.
Mas como diria Norah Jones:

"Alguém vai aparar sua queda, 
e eu vou construir novas muralhas,
Mas dessa vez vou colocar janelas
Para o caso de você querer voltar"
O fim está próximo...

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

a parte mais difícil

E a parte mais difícil foi deixar ir sem fazer nada, esta foi a parte mais difícil.
E a coisa mais difícil foi esperar a ficha cair. Este foi o mais estranho início.
Eu podia sentir acabando, podia sentir o agridoce em minha boca. As nuvens forradas de prata...
E eu.... Eu queria ter feito dar certo.
E a parte mais difícil foi deixar ir sem fazer nada. Você realmente partiu meu coração.
E eu tentei cantar, mas não pude pensar em nada. Essa foi a parte mais difícil.
Eu podia sentir acabando... você deixou um gosto doce em minha boca.
Nuvens forradas de prata... e eu... Eu me pergunto sobre o que se trata tudo isso.
Tudo o que eu sei está errado, tudo o que eu faço simplesmente se desfaz.
E tudo está despedaçado... E essa é a parte mais difícil... a parte mais difícil.

Coldplay, The Hardest Part.

domingo, 10 de agosto de 2014

can you?...

Alexander Pope escreveu um poema chamado "Eloisa to Abelard", uma coisa enorme que conta a história de Eloisa e Abelardo, amantes que forçam-se a ficarem longe um do outro por questões de honra. Há uma parte muito bonita que diz o seguinte:

"How happy is the blameless vestal’s lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray’r accepted, and each wish resign’d”

"Quão feliz é o destino da inocente vestal!
Esquecendo o mundo, sendo por ele esquecida.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças!
Cada prece é aceita, e cada desejo se alcança"

Esse poema sequer tem tradução para o português, mas a narrativa é basicamente sobre dor. A dor da perda, a dor do afastamento, a dor da saudade. Saudade, essa palavra intraduzível em sua totalidade, essa palavra que permeia as vidas humanas. Cada um de nós tem saudade de alguma coisa. Cada um de nós foi abandonado, ou abandonou algo. Mas quantos de nós podem fugir daquilo que deixou para trás?
Você pode apagar alguém da sua mente, mas será que consegue apagar do seu coração?

these days...

Sonhei com você a noite inteira ontem.
Quando acordei, estava irremediavelmente doente.
Até saí, conversei, tomei um sorvete... mas a verdade é que eu me sentia mal, como se meu corpo não respondesse muito bem.
É sempre assim quando sinto tanta saudade como hoje. Saudade do que nunca mais vai voltar.
Não contei para não ser chata, mas quando toda a merda começou e você parou de falar comigo, passei três semanas doente, sem saber como fazer.
Três semanas.
E hoje fiquei assim. Novamente sem saber o que fazer.

dead hours... dead feelings!

Cá estou eu, às horas mortas.
Como diria Clarice - e pode muito bem não ter sido ela, já que hoje em dia qualquer quote tem um Lispector no final - "escrevendo coisas sem nexo como profunda forma de te atingir".
Tentando a todo custo te humilhar, humilhar teus gostos, humilhar sua maneira de viver. Ou simplesmente te infligir certa culpa. Por que sei que você lê isso aqui. E tenta não sentir qualquer remorso, ou qualquer coisa que macule suas parcas horas de sonos noturno. Parcas? Você sempre foi um poste. Bate, dorme e baba. Isso por que na sua cabeça você fez o que era certo.
Sabe o que era certo?
Eu não amar você.
Eu nunca ter te conhecido.

sábado, 9 de agosto de 2014

Ne me quitte pas...

Jacques Brel era uma pessoa horrível
Um marido horrível.
Um pai horrível.
Um namorado horrível
Um amante horrível.
Mas havia algo em que Brel era bom, muito bom.
Jacques Brel compunha como poucos. E um dia, para ilustrar o quanto ele era horrível, escreveu uma das mais belas canções que eu já ouvi.
Ne me quitte pas!
Junior diz que adora aquele vídeo em que ele aparece cantando, em preto e branco - isto por que não sabe qual é a história daquelas letras bonitas e daquele olhar de cachorro morto. Já eu, prefiro aquela versão da Maysa, sabe aquela que todo mundo diz que é da Piaf?!
Cada palavra daquela música, composta em proporções métricas, que o Brel dizia ser sobre a covardia humana, me faz sentir uma dor pesada, profunda. É engraçado como nossa mente nos faz sentir dor física mesmo que nosso corpo esteja intacto.
Deve ser por que a canção fala de amor e termina com um quê perfeito de auto humilhação, o que me faz lembrar de mim. Implorando: "me deixa cuidar de você. Me deixa olhar por você". Como quem diz: me deixa lamber o chão que você pisa.
Ne me quitte pas! Não me abandone...
E hoje eu faço uma comparação. Nós fomos o Brel. Você foi a parte horrível. Eu sou a parte que escreve coisas para ilustrar você. Não é a combinação perfeita da tragédia e da comédia?


um post que não é sobre história

Déspotas esclarecidos eram os reis europeus que, sem ter como combater o Iluminismo e, temerosos diante da Revolução Francesa que havia decepado a linda cabecinha de Marie Antoinette, começaram a instaurar alguns dos preceitos Iluministas em seus respectivos países. Fundaram universidades, escolas para o "povão" - entre aspas mesmo, para designar ironia se você não sabe - hospitais. Marchons, Marchons!, Liberté, Égalité, Fraternité!
O que eu quero dizer com isso não é o que você está pensando.
Este post não é sobre história.
Esse post é sobre hipocrisia.
Eu queria escrever isso faz tempo, mas, como dizem as adeptas do funk way of life, ia soar meio como "recalque".
Mas se vivêssemos lá em mil setecentos e bolinha, a Isabela Freitas ia ser uma déspota esclarecida. Aquele tipo de hipócrita que diz tudo aquilo que não pensa apenas para convencer os "pobres e inocentes" - a ironia continua minha gente - de que ela está com a razão, neste caso, para vender livro mesmo. Mil vezes hipócrita, escreve um livro sobre uma coisa na qual não acredita. E o pior de tudo: milhares de acéfalas, descerebradas, tão vadias vazias quanto ela, "se apegam" àquele monte de baboseira non sense para justificar a própria incapacidade de se relacionar ou de manter um relacionamento.
Sério. Mude. Por que é legal agora, mas e depois? Depois vocês vão ter trinta anos, tomando vinho de birosca em taça de vidro, vestidas num pijama surrado, cantando All By Myself - para aquelas que sabem inglês, por que ainda tem que levar em conta isso - sem ninguém em volta senão o cachorro ou o gato que também já está de saco cheio de gente que não sabe o que fazer com a própria vida. Pensar sobre isso faz bem de vez em quando. Ninguém suporta deficientes emocionais por muito tempo.

um livro...

Tive uma ideia, não exatamente original.
Vou escrever um livro
Sim, eu sei que já disse isso muitas vezes, já comecei outras tantas, mas desta vez é real.
É aquela história que eu disse que ia escrever tantas vezes, aquela em que vai ter uma dedicatória com teu nome, ou o nome que eu inventei para você.
Comecei a fazer minha pesquisa. Não sei quantos livros escritos há mais de 200 anos, todos em inglês. Mapas, diários, livros de ilustrações. Pesquisando os detalhes para dar vida a você.
E no final um agradecimento: obrigada pela tristeza que você me deu. Sem ela, esse livro nunca teria sido escrito.
Juro que vou escrever, e ainda por cima, como último deboche, vou mandar uma cópia autografada com os seguintes dizeres, em letras garrafais: "Com Amor".

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

the road in a yellow wood...

Li um poema de Robert Frost essa semana e a curiosidade é que eu o encontrei naquele livro horroroso do Paulo Coelho, que para mim foi uma decepção. Sabe aquele "O Vencedor Está Só"? É, eu também esperava mais daquele livro lançado em capa dura, com um acabamento super bonito, mas que no cerne dói para ler.
Enfim, a questão aqui era o Frost e seu poema "A estrada não trilhada", em inglês: The Road Not Taken.
E existe uma passagem que diz:

"Duas estradas divergem em um bosque dourado, e eu
Eu tomei aquela que menos gente percorreu
E isso fez toda a diferença"

Me fez refletir por um bom tempo. Me fez pensar nas decisões que tomamos na vida. Nos caminhos que nos levam e nas consequências desses caminhos.
Ao tomar um caminho, devemos escolhê-lo com cautela. As consequências podem ser dramáticas, ao invés da maravilha que você pensava.
Então eu pergunto: se alguém escolhe o caminho dos fracos, isto irá levá-lo à fraqueza. Mas e se alguém escolhe o caminho dos egoístas, individualistas e babacas? Resulta em quê? Fracasso?

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Look what you've done

Ontem conversando com Thais, ela me perguntou como eu estava. Eu disse que vou mal, obrigada. É difícil ter que dizer isto às pessoas, mas eu não vou ficar mentindo, nunca fui disso. Normalmente elas não sabem o que dizer depois do "mal", mas Thais não é uma dessas. Ela insistiu em me fazer ficar bem, ou pelo menos sorrir.
Tive mesmo que explicar para ela: Eu tive raiva, ódio, rancor, nojo. Eu tive tudo isso. Mas eu também senti amor. Tudo ao mesmo tempo. E no fim, foi o amor mais puro que prevaleceu e ainda prevalece. E se me pedisse para deixar para lá, eu deixaria. Se me pedisse para ficar perto, eu ficaria. E essa é a pior parte de todas. Saber disso.
Como diria a Kika, resta a mim pegar meu orgulho no lixo. Imagina o que é chegar ao ponto de se arrepender de conhecer todas as pessoas que me levaram a te conhecer. Imagina o que é me arrepender dos últimos dois anos da minha vida... de desejar do fundo do coração bater a cabeça e perder todas as memórias para simplesmente não saber que você existe (olha o paradoxo). Imagina o que é não suportar abrir os olhos de manhã... Isso não é uma coisa boa. Isso está me transformando em uma pessoa tão amarga... logo eu que as pessoas diziam ser tão doce... veja no que me transformei. Veja no que você me tornou.


PS: Obrigada Thais, por se preocupar comigo. Você nunca disse que me ama, entretanto se importa, é melhor, mais amiga e sincera do que gente que me jurou amor eterno. Obrigada mesmo.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

the hardest part of the day...

A pior parte de acordar de manhã é a sensação inevitável de que algo não está no lugar. Hoje essa sensação dominou quase todo o meu dia, quando na verdade ela costuma vir e passar assim que eu me esqueço completamente do que aconteceu nos últimos dois meses e do desastre em que minha vida se transformou.
Hoje eu tive a sensação de ter voltado a 2009, quando tudo o que eu fazia era focar minha mente em não sentir. Então me perguntei: então nada mudou? Então eu ainda sou aquela pessoa tentando bancar a indiferente? Tentando engolir a dor e seguir em frente quando eu sei que isso é impossível? E até quando todos a minha volta vão mudar e eu vou continuar a mesma?
Há uma lição que eu deveria ter aprendido e nunca consegui: as pessoas sempre partem. Principalmente quando elas são ainda mais vazias que você. Uma pessoa vazia não pode preencher a outra.

Winter Dreams...

Tive um sonho bastante esquisito. Eu conseguia tudo aquilo que eu queria, menos uma coisa. A que mais importava. A que mais fazia falta. Em um caleidoscópio das emoções que já não sinto, eu sonhei que tinha tudo, menos você. 
Era uma sensação de vazio. O vazio que surgiu aqui no peito desde que a minha estrela morreu. Há agora um buraco-negro sugando toda a vida e toda a luz. Não há risada que dure o suficiente, nem um sorriso que seja realmente feliz. E não há solidão maior do que aquela de estar junto das pessoas e sentir-se só mesmo assim.
Há um som que reverbera no vácuo da minha alma. Um som que não é uma canção, não é um grito, nem uma prece. É mais um clamor. Um chamado. Uma onda sonora que começa nas profundezas do meu inconsciente e que finalmente veio à tona naquela noite...
Pois eu sonhei que tinha tudo, menos você. E era isso o que fazia toda a diferença.

domingo, 27 de julho de 2014

NON SENSE. EP1

Digitou no celular:
"Você partiu meu coração".
Depois ponderou alguns segundos se deveria ou não enviar. Por um lado é bom deixar o outro saber que pisou em cima dos seus sonhos, que os destruiu. Por outro é tornar-se extremamente vulnerável à retaliação. Seria muito fácil que ele não respondesse ou fingisse não se importar. Talvez sequer se importasse mesmo. Cretinos existem em qualquer lugar e João Victor definitivamente era um.
Digitou outra mensagem:
"Me encontre na boate". Dessa vez o envio foi certo.

A Imperium havia inaugurado havia apenas um mês e já era o ponto de encontro de todos os amigos. Cacau e Marcelo disseram que a encontrariam lá. Diferentemente da sua personalidade, Laura se arrumou como nunca antes havia feito, vestiu aquele vestido curtíssimo que guardava para casamentos - ou velórios, sabe-se lá - maquiou-se, deixou as botas Timberlands de lado e calçou um salto que já criava mofo dentro do armário. Soltou os cabelos. Olhou-se no espelho. Estava fabulosa - ou assim pensava. A não ser pelas sobrancelhas... recusava-se a passar por aquela agonia desnecessária.
"Hoje eu vou fazer você se arrepender de ter me chutado, desgraçado!".

Nem sequer sabia se ele iria e pouco importava. Não significava que seu coração obviamente destroçado iria se curar, mas ela iria simplesmente encher a cara sem gastar sequer um centavo e chegar em casa carregada debaixo dos braços dos amigos e só ia acordar no outro dia. Não ia doer, nem um pouco. E mesmo que a sensação de melhora fosse absolutamente momentânea, tanto fazia. Ela daria tudo para não sentir, por pelo menos algumas horas.

Na fachada externa da boate foram projetadas luzes azuis em um letreiro de letras garrafais onde se lia Imperium, com uma coroa amarela sobre o primeiro I. A fila para entrar estava gigantesca, mas ela chegou perto da porta para ver quem era o segurança. Se fosse o Bento passaria fácil. Se fosse outro... Bem, encontraria os amigos na fila também, e aí já seria meio caminho andado.
Por sorte era Bento. Um cara enorme, com um bíceps maior que a cabeça dela e, tanto quanto grande, gay. Talvez por isso fossem amigos.

"Meu chegado!"
"Laurinha!! Desentocou?"
"Vim conferir a boate hoje. Você sabe quem toca?"
"Flávia, Tatau e um MC que eu esqueci o nome, mas sei que não é daqui".
"Você viu o Marcelo e a Cacau?
"Estão lá dentro" - e abriu passagem para ela. Adorava aquele tipo de corrupção. Furar uma fila quilométrica e entrar na boate sem pagar era demais. Não que ela fosse importante para isso, mas ela simplesmente tinha os amigos certos.

A boate já estava cheia. Muita gente, fumaça de gelo seco e aquele flash - odiava aquela merda piscando. Avistou os amigos no bar bebericando Martinis. Gostavam de pedir por que viam em filmes e adoravam passar por gente de comédia romântica. Começou a caminhar até eles, mas inexplicavelmente, por alguma força misteriosa da física que Einstein ou Newton não conseguiram explicar, seus olhos cegados por aquele flash horroroso desviaram-se 30° a bombordo e ela viu o que menos queria ver: João Victor. E ele não estava sozinho. Estava abraçado com uma garota que obviamente era mais bonita que ela, com um sorriso mais bonito que o dela, com um corpo mais bonito que o dela.
Não soube como pode enxergar tanta qualidade estando quase cega pela fumaça, mas ela conseguiu.

Tropeçou nos próprios pés e cambaleou de maneira ridícula até onde estavam os amigos.

Cacau imediatamente chamou o barman e pediu outro Martini. Laura fez que não.
"Hoje eu quero é vodka!"
"Mas amiga, vodka te dá amnésia..."
"Exatamente!"

TO BE CONTINUED

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Um início promissor...

Para começar bem, falando de algo eu gosto, e principalmente para honrar a memória de todos os blogs que escrevi e abandonei...
Para começar com intensidade e densidade, abandonando enfim as coisas rasas.

Escrevi isso para o Adoro Cinema.


Vivemos num mundo triste. Como diria Bukowski, "um mundo solitário, de pessoas assustadas". Nesse mundo onde as coisas podem ser ditas e feitas rapidamente, onde pessoas muito distantes umas das outras podem se comunicar de maneira incrivelmente rápida, criamos o hábito de abandonar uns aos outros. E mais, algumas pessoas, especialistas em egoísmo e emocionalmente deficientes passaram a convencer os outros de que isso é uma coisa boa, a coisa certa a se fazer.
Quando eu era pequena minha mãe costumava dizer que não compraríamos algo novo se o antigo podia ser consertado. Isso parece muito coisa de "pobre", mas hoje eu entendo o que ela queria dizer: se uma coisa ainda pode funcionar, por que comprar uma nova e correr o risco de que não dure nem um terço do que a antiga? Por que, se o velho ainda funciona e muito bem?! Por que eu posso? Para mostrar que eu tenho esse poder?
O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças mostra uma situação que, se existisse hoje, bateria o recorde das cirurgias plásticas: a possibilidade de pagar um valor e ter uma pessoa completamente arrancada de sua mente. Mas arrancada até que ponto?
Logo na introdução do filme, Joel e Clem se encontram na estação de trem, Até ali, você pensa que eles nunca se viram. E é algo completamente eestranho, visto que eles se envolvem de uma maneira absurdamente intimista logo num primeiro contato. Ela se sente mais segura com ele do que tem estado durante muito tempo. E logo depois nos é mostrado que eles já se conheciam.


Sim, o filme se passa quase por completo na mente do Joel, mas também temos relances do que acontece com Clementine, a primeira a passar pelo processo de apagar a memória. E vemos como o processo, que é descrito como um "dano cerebral", afeta o comportamento da moça quando ela passa a "reconhecer" coisas que supostamente nunca havia visto antes, como um apelido "Tangerina", que era como o Joel a chamava.
Ao mesmo tempo, Mary, a secretária da clínica mostra-se completamente apaixonada pelo doutor Wozniak o responsável pela Lacuna.
A palavra Lacuna vem do latim e significa "perda, vazio", o que totalmente caracteriza a mensagem que o filme pretende deixar: tentar apagar alguém da sua mente é como tentar criar um vazio dentro de si de tudo aquilo que você aprendeu com aquela experiência. E de uma maneira ou de outra, é uma missão que não compensa.


Mary se apaixona mais uma vez pelo doutor Wozniak (a quem já havia apagado de sua mente antes), Clementine entra em colapso e Joel arrepende-se no meio do processo e tenta parar o ciclo de deleções, em vão. No fim, movido por compulsão interna, ele acaba indo parar, sem saber por quê, em Montauk, pois esta foi a última coisa que a Clementine disse para ele. "Encontre-me em Montauk". E mesmo sem lembrar ou saber a razão, ele vai e a encontra lá. Dois estranhos que se conhecem melhor que ninguém.
Esse roteiro incrível derruba uma a uma as teorias de "Desapega, não se apega não" que muitos blogueiros e redatores de revistas e escritores de livros de auto-ajuda tentam empurrar goela abaixo. Desapegar, esquecer, tornar obsoleto não é um caminho. Pois neste caminho de deserção, você não está abrindo mão apenas do outro, mas de si mesmo.