sábado, 9 de agosto de 2014

Ne me quitte pas...

Jacques Brel era uma pessoa horrível
Um marido horrível.
Um pai horrível.
Um namorado horrível
Um amante horrível.
Mas havia algo em que Brel era bom, muito bom.
Jacques Brel compunha como poucos. E um dia, para ilustrar o quanto ele era horrível, escreveu uma das mais belas canções que eu já ouvi.
Ne me quitte pas!
Junior diz que adora aquele vídeo em que ele aparece cantando, em preto e branco - isto por que não sabe qual é a história daquelas letras bonitas e daquele olhar de cachorro morto. Já eu, prefiro aquela versão da Maysa, sabe aquela que todo mundo diz que é da Piaf?!
Cada palavra daquela música, composta em proporções métricas, que o Brel dizia ser sobre a covardia humana, me faz sentir uma dor pesada, profunda. É engraçado como nossa mente nos faz sentir dor física mesmo que nosso corpo esteja intacto.
Deve ser por que a canção fala de amor e termina com um quê perfeito de auto humilhação, o que me faz lembrar de mim. Implorando: "me deixa cuidar de você. Me deixa olhar por você". Como quem diz: me deixa lamber o chão que você pisa.
Ne me quitte pas! Não me abandone...
E hoje eu faço uma comparação. Nós fomos o Brel. Você foi a parte horrível. Eu sou a parte que escreve coisas para ilustrar você. Não é a combinação perfeita da tragédia e da comédia?


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